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sexta-feira, 13 de agosto de 2010
Arte com rolo de papel higiênico – faça você mesmo
quinta-feira, 6 de maio de 2010
Mancha de óleo nos EUA atinge a costa da Louisiana
Petróleo jorra de plataforma que explodiu no golfo do México e ameaça meio ambiente
Até esta quarta-feira, calculava-se que cerca de 9,5 milhões de litros de petróleo haviam vazado desde que a plataforma utilizada pela britânica BP afundou no dia 22 de abril, dois dias após explodir. O acidente deixou 11 mortos e sete feridos.
O duto que conectava a plataforma à cabeça do poço, quebrado a 1.500 metros de profundidade, expele petróleo a um ritmo de 800 mil litros por dia.
O derramamento desencadeou temores de uma catástrofe ambiental na região, que tem 40% dos pântanos americanos, área essencial de desova para peixes, camarões e caranguejos, além de uma importante parada para as aves migratórias. O porta-voz da BP, John Curry, afirmou ontem que as equipes de emergência esperavam combater o derramamento com a formação de uma cúpula de confinamento, que poderia conter o vazamento principal, e assim barrar o petróleo e levá-lo por um cano até um navio na superfície. Espera-se que esse tipo de tampa contenha o maior dos três vazamentos.
Políticos questionam prática de isentar petrolíferas
Operários, voluntários e militares continuavam nesta quinta-feira a combater à mancha de petróleo que ameaça a costa sul dos EUA. Também começam a surgir questionamentos quanto à prática das autoridades de isentarem alguns projetos petrolíferos de apresentar relatórios de impacto ambiental, como foi o caso do poço da BP que está jorrando petróleo no golfo do México.
Políticos continuam pressionando a empresa britânica a limitar os prejuízos ambientais e econômicos do acidente. A empresa de perfuração Transocean disse que o Departamento de Justiça dos EUA lhe pediu para preservar todos os registros relativos à perfuração do poço e à explosão que provocou o naufrágio da plataforma de exploração que havia no local do acidente, há duas semanas.
Na quarta-feira, a BP começou a transportar um enorme equipamento metálico que irá canalizar parte do petróleo que sai do poço para um navio na superfície. O equipamento levará cerca de 12 horas para chegar ao local do acidente, na costa da Louisiana. Depois de instalado, ele deve começar a recolher o petróleo na segunda-feira, segundo Doug Suttles, diretor de operações da BP.
Ele alertou, no entanto, que não há garantias de que a peça de 98 toneladas irá funcionar a mais de 1.500 metros de profundidade.
Também na quarta-feira, cresceram os questionamentos à decisão do Serviço de Gestão Mineral de isentar a BP de apresentar um detalhado relatório de impacto ambiental para o projeto, já que as autoridades entenderam que havia poucos riscos envolvidos. Membros do governo dizem que esse tipo de isenção está sendo revisto.
Em vários pontos do golfo do México, técnicos colocam varas flutuantes na água, para conter a mancha, e usam dispersantes. O petróleo ameaça atingir ecossistemas valiosos, e também áreas onde há grande atividade econômica ligada à pesca e ao turismo.
Foto por Sandy Huffaker/6.mai.2010/Getty Images/AFP
A mancha de petróleo do golfo do México atingiu a costa de Louisiana nesta quinta-feira (6), informaram fontes oficiais. Este é o primeiro impacto em terra do vazamento, que teve origem na explosão de uma plataforma da empresa British Petrol (BP) no último dia 20 de abril. Mais de duas semanas após a explosão da plataforma Deepwater Horizon, o impacto da catástrofe se transformou em uma maré negra no golfo do México, que põe em risco as comunidades costeiras.Militar americano conduz barco em porto de Shell Beach,
na Louisiana, em meio a trabalhos para conter vazamento
de petróleo no golfo do México; mancha do óleo chegou hoje
à costa do Estado
Até esta quarta-feira, calculava-se que cerca de 9,5 milhões de litros de petróleo haviam vazado desde que a plataforma utilizada pela britânica BP afundou no dia 22 de abril, dois dias após explodir. O acidente deixou 11 mortos e sete feridos.
O duto que conectava a plataforma à cabeça do poço, quebrado a 1.500 metros de profundidade, expele petróleo a um ritmo de 800 mil litros por dia.
Políticos questionam prática de isentar petrolíferas
Operários, voluntários e militares continuavam nesta quinta-feira a combater à mancha de petróleo que ameaça a costa sul dos EUA. Também começam a surgir questionamentos quanto à prática das autoridades de isentarem alguns projetos petrolíferos de apresentar relatórios de impacto ambiental, como foi o caso do poço da BP que está jorrando petróleo no golfo do México.
Políticos continuam pressionando a empresa britânica a limitar os prejuízos ambientais e econômicos do acidente. A empresa de perfuração Transocean disse que o Departamento de Justiça dos EUA lhe pediu para preservar todos os registros relativos à perfuração do poço e à explosão que provocou o naufrágio da plataforma de exploração que havia no local do acidente, há duas semanas.
Na quarta-feira, a BP começou a transportar um enorme equipamento metálico que irá canalizar parte do petróleo que sai do poço para um navio na superfície. O equipamento levará cerca de 12 horas para chegar ao local do acidente, na costa da Louisiana. Depois de instalado, ele deve começar a recolher o petróleo na segunda-feira, segundo Doug Suttles, diretor de operações da BP.
Ele alertou, no entanto, que não há garantias de que a peça de 98 toneladas irá funcionar a mais de 1.500 metros de profundidade.
Também na quarta-feira, cresceram os questionamentos à decisão do Serviço de Gestão Mineral de isentar a BP de apresentar um detalhado relatório de impacto ambiental para o projeto, já que as autoridades entenderam que havia poucos riscos envolvidos. Membros do governo dizem que esse tipo de isenção está sendo revisto.
Em vários pontos do golfo do México, técnicos colocam varas flutuantes na água, para conter a mancha, e usam dispersantes. O petróleo ameaça atingir ecossistemas valiosos, e também áreas onde há grande atividade econômica ligada à pesca e ao turismo.
segunda-feira, 19 de abril de 2010
Perfil da Mudança Climática no Brasil
Como muitos países grandes, o Brasil pode sofrer devido aos aumentos das temperaturas. Os piores cenários preveem até mesmo um colapso do ecossistema da Floresta Tropical Amazônica.
Cataratas de Iguaçu, conforme seu aspecto em julho de 2006, depois que uma grave seca reduziu as maiores cataratas da América do Sul a um filete. O aquecimento global causará provavelmente secas mais freqüentes em diversas partes do Brasil
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Seca
A grave seca que atingiu o Nordeste brasileiro no outono de 2005 foi o pior período de seca do país em mais de um século, determinando as baixas dos rios em níveis recordes, escassez de água e incêndios florestais devastadores. A mais recente avaliação do Painel Intergovernamental sobre Mudança Climática (IPCC) da ONU isolou a região como especialmente suscetível a novas secas deste tipo se o aquecimento global prosseguir. O declínio nos fluxos dos rios também afeta o setor hidrelétrico do Brasil, que produz mais de 80% da eletricidade do país.
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Florestas, pantanais e biodiversidade ameaçados
A seca e o aumento das temperaturas também ameaçam um dos ecossistemas mais críticos do planeta: a Floresta Tropical Amazônica. A Região Amazônica contém até um terço das espécies animais e vegetais conhecidas pelo homem. Suas florestas tropicais são essenciais para o ciclo do carbono, que regula o oxigênio e o dióxido de carbono do planeta. Cientistas estão tentando agora determinar o “ponto decisivo” – a quantidade de aquecimento global que as florestas tropicais podem suportar antes que os ecossistemas entrem em colapso. Alguns pesquisadores afirmam que o limiar pode ser ultrapassado dentro de poucos anos; outros afirmam que está a décadas de distância.
Isso, naturalmente, se as picaretas e as escavadoras não chegarem antes à floresta tropical. Mais de 18.000 km2 de floresta tropical foram destruídos em 2004-05 para dar espaço à pecuária, às fazendas de soja e a outra utilização mais lucrativa da terra do que a floresta tropical intocada. Os pesquisadores constataram que o desmatamento causa impactos nos padrões pluviométricos e climáticos da região. O corte e a queima das florestas tropicais também liberam quantidades maciças de dióxido de carbono na atmosfera, e representam até 75% das emissões totais de gases estufa do Brasil.
Outros ecossistemas brasileiros ameaçados incluem a região do Pantanal, o maior reservatório de água doce do mundo, e os recifes brasileiros, os únicos na costa sul-americana. O quarto relatório do IPCC (2007) também afirmou que, com um aumento de 1,7º Celsius, aproximadamente 45% das plantas do cerrado do Brasil (savanas centrais) poderiam ser extintas até 2050.
Agricultura
A seca e o aumento constante das temperaturas também ameaçam a agricultura, principal setor da economia brasileira. Uma das principais safras do país, a soja, é especialmente sensível a extremos de calor e seca, que os cientistas acreditam prosseguirão ou piorarão nas próximas décadas. O Brasil atualmente exporta mais de 8 bilhões de dólares de produtos de soja a cada ano. Pesquisadores agora afirmam que o aquecimento global poderia reduzir a safra anual de soja em até 60%. Outras safras economicamente importantes, como café e milho, também sofreriam com um clima mais quente. Acredita-se que, em longo prazo, nenhuma das safras brasileiras se beneficiaria do aquecimento global.
Outros impactos
O Brasil também poderá se deparar com enchentes mais sérias, como aquelas que assolaram o país em 2004. O aumento dos níveis do mar poderia tornar áreas costeiras, como o centro comercial e turístico de Macaé, mais propensas a enchentes.
Cientistas também começaram a analisar os potenciais impactos do aquecimento global na saúde pública brasileira. O aumento das temperaturas pode expandir os habitats de insetos transmissores de doenças, como malária e dengue, para as regiões habitualmente mais frias do sul do país. Mais de 85.000 casos de dengue foram relatados no sudoeste do Brasil no início de 2007, um aumento de 30% em relação ao ano anterior.
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Cataratas de Iguaçu, conforme seu aspecto em julho de 2006, depois que uma grave seca reduziu as maiores cataratas da América do Sul a um filete. O aquecimento global causará provavelmente secas mais freqüentes em diversas partes do Brasil
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Seca
A grave seca que atingiu o Nordeste brasileiro no outono de 2005 foi o pior período de seca do país em mais de um século, determinando as baixas dos rios em níveis recordes, escassez de água e incêndios florestais devastadores. A mais recente avaliação do Painel Intergovernamental sobre Mudança Climática (IPCC) da ONU isolou a região como especialmente suscetível a novas secas deste tipo se o aquecimento global prosseguir. O declínio nos fluxos dos rios também afeta o setor hidrelétrico do Brasil, que produz mais de 80% da eletricidade do país.
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Florestas, pantanais e biodiversidade ameaçados
A seca e o aumento das temperaturas também ameaçam um dos ecossistemas mais críticos do planeta: a Floresta Tropical Amazônica. A Região Amazônica contém até um terço das espécies animais e vegetais conhecidas pelo homem. Suas florestas tropicais são essenciais para o ciclo do carbono, que regula o oxigênio e o dióxido de carbono do planeta. Cientistas estão tentando agora determinar o “ponto decisivo” – a quantidade de aquecimento global que as florestas tropicais podem suportar antes que os ecossistemas entrem em colapso. Alguns pesquisadores afirmam que o limiar pode ser ultrapassado dentro de poucos anos; outros afirmam que está a décadas de distância.
Isso, naturalmente, se as picaretas e as escavadoras não chegarem antes à floresta tropical. Mais de 18.000 km2 de floresta tropical foram destruídos em 2004-05 para dar espaço à pecuária, às fazendas de soja e a outra utilização mais lucrativa da terra do que a floresta tropical intocada. Os pesquisadores constataram que o desmatamento causa impactos nos padrões pluviométricos e climáticos da região. O corte e a queima das florestas tropicais também liberam quantidades maciças de dióxido de carbono na atmosfera, e representam até 75% das emissões totais de gases estufa do Brasil.
Outros ecossistemas brasileiros ameaçados incluem a região do Pantanal, o maior reservatório de água doce do mundo, e os recifes brasileiros, os únicos na costa sul-americana. O quarto relatório do IPCC (2007) também afirmou que, com um aumento de 1,7º Celsius, aproximadamente 45% das plantas do cerrado do Brasil (savanas centrais) poderiam ser extintas até 2050.
A seca e o aumento constante das temperaturas também ameaçam a agricultura, principal setor da economia brasileira. Uma das principais safras do país, a soja, é especialmente sensível a extremos de calor e seca, que os cientistas acreditam prosseguirão ou piorarão nas próximas décadas. O Brasil atualmente exporta mais de 8 bilhões de dólares de produtos de soja a cada ano. Pesquisadores agora afirmam que o aquecimento global poderia reduzir a safra anual de soja em até 60%. Outras safras economicamente importantes, como café e milho, também sofreriam com um clima mais quente. Acredita-se que, em longo prazo, nenhuma das safras brasileiras se beneficiaria do aquecimento global.
Outros impactos
O Brasil também poderá se deparar com enchentes mais sérias, como aquelas que assolaram o país em 2004. O aumento dos níveis do mar poderia tornar áreas costeiras, como o centro comercial e turístico de Macaé, mais propensas a enchentes.
Cientistas também começaram a analisar os potenciais impactos do aquecimento global na saúde pública brasileira. O aumento das temperaturas pode expandir os habitats de insetos transmissores de doenças, como malária e dengue, para as regiões habitualmente mais frias do sul do país. Mais de 85.000 casos de dengue foram relatados no sudoeste do Brasil no início de 2007, um aumento de 30% em relação ao ano anterior.
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As energias renováveis não irão substituir inteiramente os combustíveis fósseis nos próximos anos. A filtragem do gás carbônico das usinas a carvão, conhecida como captura e armazenagem do carbono (CCS), terá um papel crucial. Já foi dada a largada com o primeiro projeto-piloto na Alemanha. Mas será que o “carbono limpo” é uma solução confiável frente à mudança climática?
Tubo flexível de gás carbônico na mini-usina a carvão de "Schwarze Pumpe", em Spremberg, Alemanha. A usina é um projeto piloto em captura e armazenagem de carbono (CCS) para filtrar as emissões de carbono do carvão e enterrá-las bem fundo debaixo da terra.
As chaminés da usina termelétrica a carvão de Schwarze Pumpe, no leste da Alemanha, são uma visão impressionante. Essa usina gigantesca ergue-se acima dos campos e vilas vizinhas, fornecendo 1.600 megawatts de energia para a região.
No entanto, se você se preocupa com o aquecimento global, talvez não fique tão impressionado. As torres da usina vomitam cerca de 36 mil toneladas de dióxido de carbono todos os dias – esta é uma das milhares de usinas a carvão no mundo inteiro que produzem, em conjunto, em torno de 20% de todas as emissões de gases de efeito estufa e mais de 40% das emissões de dióxido de carbono (CO2).
Porém, a esperança está próxima – a poucas centenas de metros dali, engenheiros estão fazendo experiências com o que poderá ser o futuro da indústria carvoeira: a captura e armazenagem de carbono (CCS). Essa tecnologia aprisiona o dióxido de carbono que, de outro modo, seria liberado na atmosfera durante a queima do carvão. Ao invés de permanecer na atmosfera durante séculos, o CO2 sequestrado pode ser liquefeito e armazenado em lugares como, por exemplo, os campos já esgotados de petróleo e gás natural.
Em Schwarze Pumpe (nome significa, literalmente, “bomba negra”), a empresa estatal sueca Vatenfall montou a primeira planta-piloto de CCS em operação no mundo. A instalação de 30 megawatts começou a funcionar em setembro, e irá por à prova a tecnologia e a viabilidade econômica da combustão do oxicombustível – uma das poucas formas que há para capturar o dióxido de carbono. O oxicombustível queima o carvão em oxigênio puro, o que produz um fluxo praticamente puro de CO2.
Pequena escala, grandes esperanças
Embora o projeto piloto seja muito pequeno em escala (50 vezes menor que a termelétrica ao lado), há grandes esperanças com relação ao potencial dessa tecnologia para restringir as emissões de CO2 em escala global, especialmente pelo fato de que a dependência do carvão continua a crescer rapidamente. A expectativa é de que o consumo mundial de carvão aumente 65% até 2030, sendo que a maior parte do aumento na demanda vem da Índia e da China.
Eileen Claussen, presidente do Pew Center, uma instituição que estuda a mudança climática global, aponta o CCS como a “maior esperança” no esforço de adaptar a indústria do carvão a um mundo consciente da questão climática.
“O carvão é barato e abundante, e os Estados Unidos irão utilizá-lo no futuro próximo, disse Claussen ao Congresso americano em 2007. “Mesmo que não fizéssemos isso, a China e a Índia fariam isso. Portanto, é essencial o rápido desenvolvimento e a implantação de tecnologias não-prejudiciais ao clima ”.
Vale a pena desenvolver o CCS – é o que acredita o economista britânico Nicholas Stern, assim como o presidente dos EUA, Barack Obama. Ele apóia o “carvão limpo” – termo genérico usado para se referir ao CCS e a outros processos concebidos para reduzir os danos ambientais causados pela queima de carvão. Alguns legisladores norte-americanos chegaram mesmo a propor a imposição de uma moratória para todas as novas usinas a carvão que não instalarem sistemas de CCS, apesar do fato de que, provavelmente, ainda deve levar uma década até essa tecnologia alcançar sua maturidade.
Solução ou adiamento do problema do CO2?
Além da evolução técnica, outro obstáculo de peso ao uso amplo do CCS é o seu custo elevado. A empresa Vatenfall prevê ter uma planta comercial de CCS operando em 2010, e visa cortar os custos do CO2 capturado e armazenado para 20 euros por tonelada. Contudo, a consultoria McKinsey & Company estima que o custo atual seja de 60 a 90 euros – bem acima do preço vigente da tonelada de CO2 no mercado global de carbono. A tecnologia CCS também consome energia e, portanto, eleva o custo da produção de energia.
Várias organizações de defesa ambiental também manifestaram preocupação em respeito aos impactos ambientais de se injetar CO2 liquefeito no subsolo e no fundo dos oceanos. O conhecimento que se tem sobre quanto tempo o CO2 permanecerá enterrado ainda é escasso. O WWF afirma que, antes de investir bilhões de dólares, os governos deveriam se certificar se o CO2 armazenado não vai vazar nos próximos 100 mil anos, pelo menos. Afinal de contas, a meta é solucionar – e não apenas adiar – o problema do gás carbônico.
Porém, a indústria parece confiante quanto à questão dos vazamentos. Há tempos as empresas petrolíferas fazem bombeamento de CO2 em campos esgotados de petróleo e gás a fim de maximizar sua extração; a empresa sueca de gás StatoilHydro extrai CO2 do gás natural, bombeando-o para as profundezas do mar do Norte há mais de dez anos.
“Se o gás natural se encontra no fundo da terra, sob alta pressão, há centenas de milhares de anos, por que o CO2 também não permaneceria lá?”, observa o engenheiro Daniel Kosel, que trabalha nas instalações de Schwarze Pumpe.
A possibilidade de CCS seguro, de baixo custo e em escala industrial abre uma nova perspectiva, especialmente para os países mais dependentes do carvão. Países ricos em carvão, como Canadá, Austrália e Estados Unidos, já tem planos ou projetos piloto de CCS em andamento. Os EUA têm, isoladamente, reservas de carvão para durar 250 a 500 anos, e capacidade subterrânea suficiente para armazenar a totalidade das suas próprias emissões de CO2 por mais três séculos.
Eterna inimiga dos defensores do clima, a indústria do carvão poderá encontrar a chave da sua sobrevivência na economia com baixo consumo de carbono que já se prenuncia. Agora cabe aos governos decidir se darão apoio a essa tecnologia ou se, efetivamente, é preferível carvão nenhum ao “carvão limpo”.
Tubo flexível de gás carbônico na mini-usina a carvão de "Schwarze Pumpe", em Spremberg, Alemanha. A usina é um projeto piloto em captura e armazenagem de carbono (CCS) para filtrar as emissões de carbono do carvão e enterrá-las bem fundo debaixo da terra.
As chaminés da usina termelétrica a carvão de Schwarze Pumpe, no leste da Alemanha, são uma visão impressionante. Essa usina gigantesca ergue-se acima dos campos e vilas vizinhas, fornecendo 1.600 megawatts de energia para a região.
No entanto, se você se preocupa com o aquecimento global, talvez não fique tão impressionado. As torres da usina vomitam cerca de 36 mil toneladas de dióxido de carbono todos os dias – esta é uma das milhares de usinas a carvão no mundo inteiro que produzem, em conjunto, em torno de 20% de todas as emissões de gases de efeito estufa e mais de 40% das emissões de dióxido de carbono (CO2).
Porém, a esperança está próxima – a poucas centenas de metros dali, engenheiros estão fazendo experiências com o que poderá ser o futuro da indústria carvoeira: a captura e armazenagem de carbono (CCS). Essa tecnologia aprisiona o dióxido de carbono que, de outro modo, seria liberado na atmosfera durante a queima do carvão. Ao invés de permanecer na atmosfera durante séculos, o CO2 sequestrado pode ser liquefeito e armazenado em lugares como, por exemplo, os campos já esgotados de petróleo e gás natural.
Em Schwarze Pumpe (nome significa, literalmente, “bomba negra”), a empresa estatal sueca Vatenfall montou a primeira planta-piloto de CCS em operação no mundo. A instalação de 30 megawatts começou a funcionar em setembro, e irá por à prova a tecnologia e a viabilidade econômica da combustão do oxicombustível – uma das poucas formas que há para capturar o dióxido de carbono. O oxicombustível queima o carvão em oxigênio puro, o que produz um fluxo praticamente puro de CO2.
Pequena escala, grandes esperanças
Embora o projeto piloto seja muito pequeno em escala (50 vezes menor que a termelétrica ao lado), há grandes esperanças com relação ao potencial dessa tecnologia para restringir as emissões de CO2 em escala global, especialmente pelo fato de que a dependência do carvão continua a crescer rapidamente. A expectativa é de que o consumo mundial de carvão aumente 65% até 2030, sendo que a maior parte do aumento na demanda vem da Índia e da China.
Eileen Claussen, presidente do Pew Center, uma instituição que estuda a mudança climática global, aponta o CCS como a “maior esperança” no esforço de adaptar a indústria do carvão a um mundo consciente da questão climática.
“O carvão é barato e abundante, e os Estados Unidos irão utilizá-lo no futuro próximo, disse Claussen ao Congresso americano em 2007. “Mesmo que não fizéssemos isso, a China e a Índia fariam isso. Portanto, é essencial o rápido desenvolvimento e a implantação de tecnologias não-prejudiciais ao clima ”.
Vale a pena desenvolver o CCS – é o que acredita o economista britânico Nicholas Stern, assim como o presidente dos EUA, Barack Obama. Ele apóia o “carvão limpo” – termo genérico usado para se referir ao CCS e a outros processos concebidos para reduzir os danos ambientais causados pela queima de carvão. Alguns legisladores norte-americanos chegaram mesmo a propor a imposição de uma moratória para todas as novas usinas a carvão que não instalarem sistemas de CCS, apesar do fato de que, provavelmente, ainda deve levar uma década até essa tecnologia alcançar sua maturidade.
Solução ou adiamento do problema do CO2?
Além da evolução técnica, outro obstáculo de peso ao uso amplo do CCS é o seu custo elevado. A empresa Vatenfall prevê ter uma planta comercial de CCS operando em 2010, e visa cortar os custos do CO2 capturado e armazenado para 20 euros por tonelada. Contudo, a consultoria McKinsey & Company estima que o custo atual seja de 60 a 90 euros – bem acima do preço vigente da tonelada de CO2 no mercado global de carbono. A tecnologia CCS também consome energia e, portanto, eleva o custo da produção de energia.
Várias organizações de defesa ambiental também manifestaram preocupação em respeito aos impactos ambientais de se injetar CO2 liquefeito no subsolo e no fundo dos oceanos. O conhecimento que se tem sobre quanto tempo o CO2 permanecerá enterrado ainda é escasso. O WWF afirma que, antes de investir bilhões de dólares, os governos deveriam se certificar se o CO2 armazenado não vai vazar nos próximos 100 mil anos, pelo menos. Afinal de contas, a meta é solucionar – e não apenas adiar – o problema do gás carbônico.
Porém, a indústria parece confiante quanto à questão dos vazamentos. Há tempos as empresas petrolíferas fazem bombeamento de CO2 em campos esgotados de petróleo e gás a fim de maximizar sua extração; a empresa sueca de gás StatoilHydro extrai CO2 do gás natural, bombeando-o para as profundezas do mar do Norte há mais de dez anos.
“Se o gás natural se encontra no fundo da terra, sob alta pressão, há centenas de milhares de anos, por que o CO2 também não permaneceria lá?”, observa o engenheiro Daniel Kosel, que trabalha nas instalações de Schwarze Pumpe.
A possibilidade de CCS seguro, de baixo custo e em escala industrial abre uma nova perspectiva, especialmente para os países mais dependentes do carvão. Países ricos em carvão, como Canadá, Austrália e Estados Unidos, já tem planos ou projetos piloto de CCS em andamento. Os EUA têm, isoladamente, reservas de carvão para durar 250 a 500 anos, e capacidade subterrânea suficiente para armazenar a totalidade das suas próprias emissões de CO2 por mais três séculos.
Eterna inimiga dos defensores do clima, a indústria do carvão poderá encontrar a chave da sua sobrevivência na economia com baixo consumo de carbono que já se prenuncia. Agora cabe aos governos decidir se darão apoio a essa tecnologia ou se, efetivamente, é preferível carvão nenhum ao “carvão limpo”.
A Terra em alerta
O planeta esquenta e a catástrofe é iminente. Mas existe solução
Ondas de calor inéditas. Furacões avassaladores. Secas intermináveis onde antes havia água em abundância. Enchentes devastadoras. Extinção de milhares de espécies de animais e plantas. Incêndios florestais. Derretimento dos pólos. E toda a sorte de desastres naturais que fogem ao controle humano.
Há décadas, pesquisadores alertavam que o planeta sentiria no futuro o impacto do descuido do homem com o ambiente. Na virada do milênio, os avisos já não eram mais necessários – as catástrofes causadas pelo aquecimento global se tornaram realidades presentes em todos os continentes do mundo. O desafios passaram a ser dois: se adaptar à iminência de novos e mais dramáticos desastres naturais; e buscar soluções para amenizar o impacto do fenômeno.
Em tempos de aquecimento planetário, uma nova entidade internacional tomou as páginas de jornais e revistas de toda a Terra – o Painel Intergovernamental sobre Mudança Climática (IPCC), criado pela ONU para buscar consenso internacional sobre o assunto. Seus aguardados relatórios ganharam destaque por trazer as principais causas do problema, e apontar para possíveis caminhos que podem reverter alguns pontos do quadro.
Em 2007, o painel escreveu e divulgou três textos. No primeiro, de fevereiro, o IPCC responsabilizou a atividade humana pelo aquecimento global – algo que sempre se soube, mas nunca tinha sido confirmado por uma organização deste porte. Advertiu também que, mantido o crescimento atual dos níveis de poluição da atmosfera, a temperatura média do planeta subirá 4 graus até o fim do século. O relatório seguinte, apresentado em abril, tratou do potencial catastrófico do fenômeno e concluiu que ele poderá provocar extinções em massa, elevação dos oceanos e devastação em áreas costeiras.
A surpresa veio no terceiro documento da ONU, divulgado em maio. Em linhas gerais, ele diz o seguinte: se o homem causou o problema, pode também resolvê-lo. E por um preço relativamente modesto – pouco mais de 0,12% do produto interno bruto mundial por ano até 2030. Embora contestado por ambientalistas e ONGs verdes, o número merece atenção.
O 0,12% do PIB mundial seria gasto tanto pelos governos, para financiar o desenvolvimento de tecnologias limpas, como pelos consumidores, que precisariam mudar alguns de seus hábitos. O objetivo final? Reduzir as emissões de gases do efeito estufa, que impede a dissipação do calor e esquenta a atmosfera.
O aquecimento global não será contido apenas com a publicação dos relatórios do IPCC. Nem com sua conclusão de que não sai tão caro reduzir as emissões de gases. Apesar de serem bons pontos de partida para balizar as ações, os documentos não têm o poder de obrigar uma ou outra nação a tomar providências. Para a obtenção de resultados significativos, o esforço de redução da poluição precisa ser global. O fracasso do Tratado de Kioto, ao qual os Estados Unidos, os maiores emissores de CO2 do mundo, não aderiram, ilustra os problemas colocados diante das tentativas de conter o aquecimento global.
terça-feira, 6 de abril de 2010
Brasil terá corte de emissões de gases próximo a 40%, diz Dilma
SÃO PAULO (Reuters) - Pela primeira vez, o governo brasileiro admitiu se comprometer com uma redução em torno de 40 por cento nas emissões
dos gases causadores do efeito estufa até 2020. O compromisso, que será anunciado no próximo sábado, vai ser levado pelo país à conferência
mundial de mudanças climáticas, em dezembro.
A ministra Dilma Rousseff (Casa Civil), que chefiará a delegação brasileira em Copenhague, na Dinamarca, evitou, no entanto, utilizar o tema "meta"
para a posição do país, afirmando que o termo se aplica apenas às obrigações dos países desenvolvidos. Segundo ela, a decisão ainda precisa de uma
justificativa técnica.
"Nós somos governo. Não achamos que pode reduzir 40 por cento. Temos que provar que pode... Talvez seja 38, 42 por cento. O número que vai ser
dado vai ser o factível", disse a ministra a jornalistas. "Não estamos muito distantes disso (40 por cento)", acrescentou.
Dilma esclareceu que a estimativa de corte nas emissões de CO2 leva em consideração um crescimento econômico de 5 ou 6 por cento ao ano no
período.
Já está acertado que o país vai reduzir o desmatamento em 80 por cento, o que contribuirá para uma diminuição de 20 por cento nas emissões de
gases. Segundo a ministra, essa redução no desmatamento diminui as emissões em 6,2 gigatoneladas de CO2 equivalente até 2020.
A matriz energética, segundo Dilma, é outro foco a ser atacado. "O grande vilão é a emissão de energia fóssil: termelétrica a carvão, a óleo e a diesel",
disse ela, defendendo uma matriz renovável, via usinas hidrelétricas.
A ministra insistiu que os países desenvolvidos deverão ser pressionados a cumprir metas rígidas, enquanto o Brasil levará compromissos voluntários.
"A postura do Brasil (na conferência) é querer que os países desenvolvidos e os países em desenvolvimento assumam um compromisso forte com a
questão de emissão de CO2", disse ela, explicando que todos devem contribuir para uma redução de 2 graus na temperatura global. "Não temos as
mesmas obrigações que eles", ponderou.
A posição brasileira para o futuro do clima foi discutida em São Paulo nesta segunda-feira pelo Fórum de Mudanças Climáticas, coordenado pelo
presidente Luiz Inácio Lula da Silva, e que reuniu seis ministros, três governadores de Estado, além de ambientalistas e sindicalistas.
O secretário-executivo do fórum, o físico Luiz Pinguelli Rosa, resumiu o tom do encontro ao afirmar que "ninguém desmaiou com os 40 por cento,
antes desmaiava."
Segundo ele, durante esta semana, os integrantes do grupo vão produzir um estudo técnico que sustente a posição brasileira.
A conferência mundial, promovida pela Organização das Nações Unidas (ONU) na capital dinamarquesa, acontecerá entre 7 e 18 de dezembro. Pelo
menos 190 países negociarão um novo acordo, que substituirá o Protocolo de Kyoto, de 1997, para enfrentar o aquecimento global.
Entre as principais divergências estão as metas de redução das emissões de gases do efeito estufa entre países desenvolvidos e em desenvolvimento e
como levantar bilhões de dólares para ajudar os países pobres a lidar com o impacto do aquecimento global.
A ministra Dilma considerou positiva a iniciativa do governador José Serra (PSDB) que sancionou nesta segunda-feira uma lei que fixa meta de
redução de 20 por cento na emissão de gases de efeito estufa em São Paulo até 2020.
"O governador está de parabéns", afirmou. Dilma (PT) e Serra são prováveis candidatos à sucessão presidencial em 2010.
dos gases causadores do efeito estufa até 2020. O compromisso, que será anunciado no próximo sábado, vai ser levado pelo país à conferência
mundial de mudanças climáticas, em dezembro.
A ministra Dilma Rousseff (Casa Civil), que chefiará a delegação brasileira em Copenhague, na Dinamarca, evitou, no entanto, utilizar o tema "meta"
para a posição do país, afirmando que o termo se aplica apenas às obrigações dos países desenvolvidos. Segundo ela, a decisão ainda precisa de uma
justificativa técnica.
"Nós somos governo. Não achamos que pode reduzir 40 por cento. Temos que provar que pode... Talvez seja 38, 42 por cento. O número que vai ser
dado vai ser o factível", disse a ministra a jornalistas. "Não estamos muito distantes disso (40 por cento)", acrescentou.
Dilma esclareceu que a estimativa de corte nas emissões de CO2 leva em consideração um crescimento econômico de 5 ou 6 por cento ao ano no
período.
Já está acertado que o país vai reduzir o desmatamento em 80 por cento, o que contribuirá para uma diminuição de 20 por cento nas emissões de
gases. Segundo a ministra, essa redução no desmatamento diminui as emissões em 6,2 gigatoneladas de CO2 equivalente até 2020.
A matriz energética, segundo Dilma, é outro foco a ser atacado. "O grande vilão é a emissão de energia fóssil: termelétrica a carvão, a óleo e a diesel",
disse ela, defendendo uma matriz renovável, via usinas hidrelétricas.
A ministra insistiu que os países desenvolvidos deverão ser pressionados a cumprir metas rígidas, enquanto o Brasil levará compromissos voluntários.
"A postura do Brasil (na conferência) é querer que os países desenvolvidos e os países em desenvolvimento assumam um compromisso forte com a
questão de emissão de CO2", disse ela, explicando que todos devem contribuir para uma redução de 2 graus na temperatura global. "Não temos as
mesmas obrigações que eles", ponderou.
A posição brasileira para o futuro do clima foi discutida em São Paulo nesta segunda-feira pelo Fórum de Mudanças Climáticas, coordenado pelo
presidente Luiz Inácio Lula da Silva, e que reuniu seis ministros, três governadores de Estado, além de ambientalistas e sindicalistas.
O secretário-executivo do fórum, o físico Luiz Pinguelli Rosa, resumiu o tom do encontro ao afirmar que "ninguém desmaiou com os 40 por cento,
antes desmaiava."
Segundo ele, durante esta semana, os integrantes do grupo vão produzir um estudo técnico que sustente a posição brasileira.
A conferência mundial, promovida pela Organização das Nações Unidas (ONU) na capital dinamarquesa, acontecerá entre 7 e 18 de dezembro. Pelo
menos 190 países negociarão um novo acordo, que substituirá o Protocolo de Kyoto, de 1997, para enfrentar o aquecimento global.
Entre as principais divergências estão as metas de redução das emissões de gases do efeito estufa entre países desenvolvidos e em desenvolvimento e
como levantar bilhões de dólares para ajudar os países pobres a lidar com o impacto do aquecimento global.
A ministra Dilma considerou positiva a iniciativa do governador José Serra (PSDB) que sancionou nesta segunda-feira uma lei que fixa meta de
redução de 20 por cento na emissão de gases de efeito estufa em São Paulo até 2020.
"O governador está de parabéns", afirmou. Dilma (PT) e Serra são prováveis candidatos à sucessão presidencial em 2010.
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