segunda-feira, 19 de abril de 2010

Perfil da Mudança Climática no Brasil

Como muitos países grandes, o Brasil pode sofrer devido aos aumentos das temperaturas. Os piores cenários preveem até mesmo um colapso do ecossistema da Floresta Tropical Amazônica.

 Cataratas de Iguaçu, conforme seu aspecto em julho de 2006, depois que uma grave seca reduziu as maiores cataratas da América do Sul a um filete. O aquecimento global causará provavelmente secas mais freqüentes em diversas partes do Brasil
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Seca
A grave seca que atingiu o Nordeste brasileiro no outono de 2005 foi o pior período de seca do país em mais de um século, determinando as baixas dos rios em níveis recordes, escassez de água e incêndios florestais devastadores. A mais recente avaliação do Painel Intergovernamental sobre Mudança Climática (IPCC) da ONU isolou a região como especialmente suscetível a novas secas deste tipo se o aquecimento global prosseguir. O declínio nos fluxos dos rios também afeta o setor hidrelétrico do Brasil, que produz mais de 80% da eletricidade do país.
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Florestas, pantanais e biodiversidade ameaçados
A seca e o aumento das temperaturas também ameaçam um dos ecossistemas mais críticos do planeta: a Floresta Tropical Amazônica. A Região Amazônica contém até um terço das espécies animais e vegetais conhecidas pelo homem. Suas florestas tropicais são essenciais para o ciclo do carbono, que regula o oxigênio e o dióxido de carbono do planeta. Cientistas estão tentando agora determinar o “ponto decisivo” – a quantidade de aquecimento global que as florestas tropicais podem suportar antes que os ecossistemas entrem em colapso. Alguns pesquisadores afirmam que o limiar pode ser ultrapassado dentro de poucos anos; outros afirmam que está a décadas de distância.

Isso, naturalmente, se as picaretas e as escavadoras não chegarem antes à floresta tropical. Mais de 18.000 km2 de floresta tropical foram destruídos em 2004-05 para dar espaço à pecuária, às fazendas de soja e a outra utilização mais lucrativa da terra do que a floresta tropical intocada. Os pesquisadores constataram que o desmatamento causa impactos nos padrões pluviométricos e climáticos da região. O corte e a queima das florestas tropicais também liberam quantidades maciças de dióxido de carbono na atmosfera, e representam até 75% das emissões totais de gases estufa do Brasil.

Outros ecossistemas brasileiros ameaçados incluem a região do Pantanal, o maior reservatório de água doce do mundo, e os recifes brasileiros, os únicos na costa sul-americana. O quarto relatório do IPCC (2007) também afirmou que, com um aumento de 1,7º Celsius, aproximadamente 45% das plantas do cerrado do Brasil (savanas centrais) poderiam ser extintas até 2050.


Agricultura
A seca e o aumento constante das temperaturas também ameaçam a agricultura, principal setor da economia brasileira. Uma das principais safras do país, a soja, é especialmente sensível a extremos de calor e seca, que os cientistas acreditam prosseguirão ou piorarão nas próximas décadas. O Brasil atualmente exporta mais de 8 bilhões de dólares de produtos de soja a cada ano. Pesquisadores agora afirmam que o aquecimento global poderia reduzir a safra anual de soja em até 60%. Outras safras economicamente importantes, como café e milho, também sofreriam com um clima mais quente. Acredita-se que, em longo prazo, nenhuma das safras brasileiras se beneficiaria do aquecimento global.

Outros impactos
O Brasil também poderá se deparar com enchentes mais sérias, como aquelas que assolaram o país em 2004. O aumento dos níveis do mar poderia tornar áreas costeiras, como o centro comercial e turístico de Macaé, mais propensas a enchentes.
Cientistas também começaram a analisar os potenciais impactos do aquecimento global na saúde pública brasileira. O aumento das temperaturas pode expandir os habitats de insetos transmissores de doenças, como malária e dengue, para as regiões habitualmente mais frias do sul do país. Mais de 85.000 casos de dengue foram relatados no sudoeste do Brasil no início de 2007, um aumento de 30% em relação ao ano anterior.
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