Cataratas de Iguaçu, conforme seu aspecto em julho de 2006, depois que uma grave seca reduziu as maiores cataratas da América do Sul a um filete. O aquecimento global causará provavelmente secas mais freqüentes em diversas partes do Brasil
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Seca
A grave seca que atingiu o Nordeste brasileiro no outono de 2005 foi o pior período de seca do país em mais de um século, determinando as baixas dos rios em níveis recordes, escassez de água e incêndios florestais devastadores. A mais recente avaliação do Painel Intergovernamental sobre Mudança Climática (IPCC) da ONU isolou a região como especialmente suscetível a novas secas deste tipo se o aquecimento global prosseguir. O declínio nos fluxos dos rios também afeta o setor hidrelétrico do Brasil, que produz mais de 80% da eletricidade do país.
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Florestas, pantanais e biodiversidade ameaçados
A seca e o aumento das temperaturas também ameaçam um dos ecossistemas mais críticos do planeta: a Floresta Tropical Amazônica. A Região Amazônica contém até um terço das espécies animais e vegetais conhecidas pelo homem. Suas florestas tropicais são essenciais para o ciclo do carbono, que regula o oxigênio e o dióxido de carbono do planeta. Cientistas estão tentando agora determinar o “ponto decisivo” – a quantidade de aquecimento global que as florestas tropicais podem suportar antes que os ecossistemas entrem em colapso. Alguns pesquisadores afirmam que o limiar pode ser ultrapassado dentro de poucos anos; outros afirmam que está a décadas de distância.
Isso, naturalmente, se as picaretas e as escavadoras não chegarem antes à floresta tropical. Mais de 18.000 km2 de floresta tropical foram destruídos em 2004-05 para dar espaço à pecuária, às fazendas de soja e a outra utilização mais lucrativa da terra do que a floresta tropical intocada. Os pesquisadores constataram que o desmatamento causa impactos nos padrões pluviométricos e climáticos da região. O corte e a queima das florestas tropicais também liberam quantidades maciças de dióxido de carbono na atmosfera, e representam até 75% das emissões totais de gases estufa do Brasil.
Outros ecossistemas brasileiros ameaçados incluem a região do Pantanal, o maior reservatório de água doce do mundo, e os recifes brasileiros, os únicos na costa sul-americana. O quarto relatório do IPCC (2007) também afirmou que, com um aumento de 1,7º Celsius, aproximadamente 45% das plantas do cerrado do Brasil (savanas centrais) poderiam ser extintas até 2050.
A seca e o aumento constante das temperaturas também ameaçam a agricultura, principal setor da economia brasileira. Uma das principais safras do país, a soja, é especialmente sensível a extremos de calor e seca, que os cientistas acreditam prosseguirão ou piorarão nas próximas décadas. O Brasil atualmente exporta mais de 8 bilhões de dólares de produtos de soja a cada ano. Pesquisadores agora afirmam que o aquecimento global poderia reduzir a safra anual de soja em até 60%. Outras safras economicamente importantes, como café e milho, também sofreriam com um clima mais quente. Acredita-se que, em longo prazo, nenhuma das safras brasileiras se beneficiaria do aquecimento global.
Outros impactos
O Brasil também poderá se deparar com enchentes mais sérias, como aquelas que assolaram o país em 2004. O aumento dos níveis do mar poderia tornar áreas costeiras, como o centro comercial e turístico de Macaé, mais propensas a enchentes.
Cientistas também começaram a analisar os potenciais impactos do aquecimento global na saúde pública brasileira. O aumento das temperaturas pode expandir os habitats de insetos transmissores de doenças, como malária e dengue, para as regiões habitualmente mais frias do sul do país. Mais de 85.000 casos de dengue foram relatados no sudoeste do Brasil no início de 2007, um aumento de 30% em relação ao ano anterior.
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